O Paradoxo da Presença: Quando Mais Horas no Escritório Significam Menos Produtividade Real

Aquele gestor que todos admiram por sua "dedicação" está sempre no escritório. É o primeiro a chegar, o último a sair. A pergunta crucial, no entanto, permanece: estar fisicamente presente significa estar mentalmente produtivo?

PRODUTIVIDADE

Bruna Capeli

5/5/20251 min read

Todos conhecem aquele profissional considerado "exemplo de dedicação" – sempre é o primeiro a chegar, o último a sair. Sua cadeira raramente fica vazia. Mas uma questão fundamental emerge quando observamos esse comportamento: a presença física constante realmente se traduz em produtividade efetiva?

Na LUMIS, acompanhamos um fenômeno cada vez mais comum nas organizações brasileiras: o presenteísmo impulsionado pela ansiedade. Trata-se de uma condição onde colaboradores estão fisicamente presentes, mas mentalmente ausentes.

O corpo está, mas a mente?

Observamos profissionais que, embora permaneçam longas horas no escritório, encontram-se:

  • Presos em ciclos repetitivos de preocupação

  • Revisando o mesmo documento múltiplas vezes

  • Procrastinando decisões estratégicas

  • Participando de reuniões improdutivas

Este é um dos riscos psicossociais mais prevalentes no ambiente corporativo contemporâneo. Não é apenas uma questão de produtividade, mas de saúde mental coletiva que impacta diretamente a sustentabilidade da organização.

O custo invisível do presenteísmo

O impacto real deste fenômeno não está contabilizado nas horas extras. Manifesta-se na energia desperdiçada, nas oportunidades não aproveitadas e nas equipes gradualmente desmotivadas.

Identificamos alguns sinais que sugerem a presença do presenteísmo em organizações:

  • Jornadas progressivamente mais extensas com resultados decrescentes

  • Processos decisórios constantemente adiados

  • Diminuição perceptível da inovação e criatividade

  • Indicadores de engajamento em declínio

Presença qualitativa: o fundamento da alta performance

Um ambiente de trabalho emocionalmente sustentável não se constrói com políticas que valorizam apenas o tempo de permanência no escritório. A verdadeira produtividade emerge quando os colaboradores estão mentalmente engajados, com clareza cognitiva e capacidade para tomar decisões assertivas.

Diagnósticos organizacionais precisos permitem identificar padrões como o presenteísmo antes que comprometam toda a saúde do sistema. Quando compreendemos as raízes deste fenômeno, podemos implementar estratégias que promovam presença qualitativa e não meramente quantitativa.

Como sua organização tem avaliado a qualidade da presença de seus colaboradores? Que métricas vão além das horas trabalhadas e capturam o real engajamento mental das equipes?